Manuel Bandeira, escritor, poeta, tradutor, crítico, imortal... Sua longevidade, morreu aos 82 anos em 1968, o fez protagonista e testemunha do moderno século XX. A poesia abaixo, O Silêncio, me fez visualizar a cena, com uma musicalidade tamanha que encanta, envolve e fascina. É pra sempre...

O Silêncio
Na sombra cúmplice do quarto,
Ao contacto das minhas mãos lentas
A substância da tua carne
Era a mesma que a do silêncio.
Do silêncio musical, cheio
De sentido místico e grave,
Ferindo a alma de um enleio
Mortalmente agudo e suave.
Ah, tão suave e tão agudo!
Parecia que a morte vinha…
Era o silêncio que diz tudo
O que a intuição mal advinha.
É o silêncio da tua carne.
da tua carne de âmbar, nua,
Quase a espiritualizar-se
Na aspiração de mais ternura.
Manuel Bandeira - (1886-1968)
Imagem: David de Souza
4 comentários:
Beth..
Adorei ser o primeiro a comentar ser blog..
Delicioso...rs
Tenha uma excelente semana, moça..
beijo.
Dimitri
Linda.. de novo visitando seu blog doce e meigo. Não deixa de nos dar esses seus textos e imagens maravilhosas....
Estou esperando.
Não me esqueci de vc ou do seu blog, viu? ..rs
Beijo.
Dimitri
Tinha que ser aqui
Só aqui encontraria Manuel e suas Bandeiras dessa forma tão lindamente postado
afagos
{licia}_Kl
Amei o blog.
Belas escolhas.
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