Morango com Gengibre é um dos blogs mais sensuais que conheço. Tem um ar doce, que envolve e excita. Tem um sabor forte que embriaga e arrebata. Creio que o nome é perfeito, pois trata de uma combinação deliciosa. Tanto quanto a combinação de seus criadores. Poeta Matemático e Menina Eva falam de sexo, erotismo, sedução, de sentimentos tão comuns e tão diferentes. Achei impossível falar do blog sem falar dos dois, sem mostrar os dois estilos.

Morango com Chantili e Chocolate Meio-Amargo
Poeta Matemático
O corpo que era só corpo, tomou-se de pecado, tanto pecado que quando ela viu, não estava mais viva: estava subtraída de si, tomada que era pela língua ávida e áspera daquele amante negro, ébano em carne e osso. Todo o torso, nu e musculoso, a cabeça farta de cabelos grossos, sumida que estava nas pernas escancaradas de A., como que engolida, engolisse, como se comida comesse, como comendo devorasse, e devorando era devorada, com fúria e sentimento.
A. era febre e sofreguidão. Era a angústia, retraída e entregue, mesmo que decidida. Não era dona de nada. O ritmo, a força, a pele forte e escura: tudo aquilo a dominava, a subtraía, a convidava a entregar-se, ser o banquete daquele homem rude, de mãos calosas e de braços decididos. Ele era seu dono, seu mestre, aquele que fazia com ela tudo o que desejasse.
E ele fazia. A pele negra contrastava com a brancura da pele, com o rosado dos lábios e o vermelho dos cabelos revoltos. Contrastava com os dentes escancarados num gemido tão intenso e duradouro que parecia que seria eterno e que derrubaria as fronteiras entre o mundo e o céu. As mãos muito claras, de veias saltadas, forçavam a nuca, misturadas nos cabelos. A barriga tremia convulsiva, num ritmo tórrido e incontrolável, produzindo terremotos sobre o tapete em que ela se entregava.
E ele, vendo que estava numa situação confortável, antes que ela se recompusesse, tomou-a de quatro e amou-a como um animal. As mãos cravadas na pele, fazendo feridas, provocando orgasmos múltiplos, espasmos, gritos, choros, convulsões. A. estava desesperada. O prazer era imenso, ela não tinha qualquer controle sobre si. O tremor tomou as pernas, as costas, a nuca, os braços. Toda ela estava possuída de arrepios.
E quando ele gozou, foi como uma espada atravessando a carne, levando a morte que precede o sabor indescritível da vitória. E eles caíram nus e exaustos, cegos de desespero…
Não era uma cantina italiana, com violinistas ao fundo e carta de vinhos. Era só uma pizzaria simples e limpa, de bairro. Mas era uma festa, ora, e pra comemorar com quem se gosta não precisa de luxo.

Menina Eva
- Amigão, traz pra gente aqui uma metade portuguesa, metade frango com catupiry?
- Pra viagem?
- É.
Eles se deram as mãos por cima da mesa.
- Feliz Aniversário, meu querido.
- Já começou muito feliz. Você tá linda. Devia usar vestido mais vezes. -Sorriu. - Ou então, não usar.
- Ah, não usar nada? E você ia permitir que eu saísse andando sem nada pela rua?
- E porque não? - Continuou sorrindo. - O Chico Buarque não disse que a Maria era tão linda de se admirar que andava nua pelo país dele?
- Você podia ser um pouquinho mais possessivo.
Ele pegou o pulso dela e apertou. Firme, pra doer, mas não pra machucar. Ela sentiu aquele calafrio de sempre, o jogo iniciando. Ele continou falando, sorrindo.
- Pois eu sou. Muito possessivo. E você não queira saber o que eu faço com quem é desobediente.
Pra evitar que os outros ao redor notassem, ela cobriu a mão que segurava seu pulso com a sua. Mas não tentou soltar - pois estava doendo, e era assim que devia continuar. Sorriu também, e perguntou como quem pergunta as horas:
- Ah, então você é cruel com quem se comporta mal?
- Muito cruel.
- Você é mau, é?
- Muito mau.
- E que tipo de castigo eu mereço, hein?
Ele enxugou o suor da testa, sem diminuir a pressão sobre o pulso. Os dois gostavam daquele jogo, mas disfarçar a excitação em público nunca era simples. Ele respondeu em voz baixa, como quem explica quais passeios se pode fazer de graça em uma viagem pela Europa.
- Primeiro, eu vou tirar o cinto, e prender as suas mãos com ele. Você nem tente fugir. Depois… - olhou pros lados. Sempre tinha aquela sensação de que alguém estava prestando atenção no teor da conversa. - … deixa eu falar no seu ouvido.
Cochichou durante um tempo. Depois, largou-a e sorriu. Ela esfregava disfarçadamente o pulso, e se mexia inquieta na cadeira.
- Nossa, essa é a pizza mais demorada da História. - Segurou as mãos dele por cima da mesa, aproximou o rosto e sussurrou - Eu PRECISO ir pra qualquer lugar com quatro paredes, agora.
Ele assobiou.
- Ô, amigo, ainda vai demorar muito?
* Imagens Ilan Rubin
2 comentários:
Po...
Valeu lembrar da gente...
Agradecemos pela homenagem
Abraços
Cara!!
Esse teu blog homenageia gente que adoro, op oeta é um deles .. amo aqueles escritos!
:)
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